segunda-feira, maio 29, 2006

bella durmiente

Escreve Pedro Sena-Lino em posfácio a bela adormecida, livro que traduziu:

fotografia de Inês d'Orey
"O mais imenso perigo: ver a morte de frente. Alguns, antes ou mesmo depois, conseguem [entre]ver o próprio Deus de frente. Místicos, loucos ou assassinos de si mesmos, aqueles que encontram no seu próprio abismo a ferida do Universo.
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É talvez por isso que místicos, loucos ou assassinos de si são os maiores poetas [são osúnicos poetas...]: de Juan de la Cruz a Rimbaud, de Al Berto a Jean Ganet, a fraternidade tem a mesma raiz excessiva: a imensa ferida. Porqu o corpo é um lugar absoluto por onde passa o mundo todo e se ardem as estrelas, se tem sede o invisível, se encarna a terra e os seus limites. Por onde se atravessam as ruas e o absolutamente imperfeito outro. Onde mora a infância de palavras proibidas no estalar dos silêncios e dos gestos partidos.
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Desta excessiva raiz nasceu a poesia de Miriam Reyes (...)"

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